Nosso corpo sagrado

Yo soy la noche, la mañana
Yo soy el fuego, fuego en la oscuridad
Soy pachamama, soy tu verdad
Yo soy el canto, viento de la libertad
Vientos del Alma – Mercedes Sosa


Nós mulheres, aos poucos, fomos esquecendo, o caminho da sacralidade feminina, o despertar divino. 

Urge a necessidade de acordar a deusa adormecida, que vai nos fazer lembrar quem um dia fomos.

Nada do que eu possa falar aqui vai trazer a sensação de algo novo, uma vez que tudo isto está dentro de nós, sempre esteve!

Quando falamos dessa busca, muitas vezes não sabemos por onde começar, mas em algum ponto é possível encontrar um eco de verdade, uma falta de algo que não pode ser preenchido com as coisas da vida material, um vazio interior.

Pense nesse vazio como um lamento profundo do seu ser, um lamento que não encontra forças para falar.

É nossa deusa interior acorrentada, esquecida pelos afazeres do dia a dia. Temos tantas obrigações, acumulamos tantas funções, estamos sempre tentando a independência e para isso sacrificamos nossa natureza receptiva.

Os nossos ciclos hoje não são reverenciados, nos pesa como um aborrecimento a mais.
Estamos sempre em busca de superação, não aceitamos nossa aparência, é difícil lidar com os ritos de passagem, queremos manter a juventude a todo custo, pois é isso que esperam de nós. Não amamos nosso corpo, não amamos nossa natureza generosa, esquecemos nosso vínculo real.

Aceitamos a destruição do nosso planeta, da nossa grande mãe e continuamos seguindo em frente. Brigamos com o tempo, brigamos com a velhice, destruímos nosso poder.

Somos confrontadas desde cedo com arquétipos distorcidos na nossa natureza, como se fôssemos vítimas da sociedade, e quem veste a arma da guerreira muitas vezes é sacrificada.

Mas sim a deusa tem muitas faces, a mãe, a irmã, a filha, a amante, a guerreira, a sábia, a sedutora e  isso tudo é nossa natureza.

Quando despertamos o amor por nós mesmas acordamos a Deusa, quebramos suas correntes e fluímos em paz com nós e com o mundo a nossa volta.

Reencontramos o sagrado em nós, respeitamos nossos ciclos, sintonizamos com nossa intuição e conseguimos fazer as pazes com nosso feminino.

Aprendemos que o feminino não é fragilidade,  é nosso poder, nossa natureza espiritual, nosso contato íntimo com a terra, nossa mãe primitiva.

Precisamos parar um minuto em silêncio, respirar fundo e reverenciar nosso útero, é ali que está nossa fonte de poder, nós geramos vida!

Estamos sintonizadas com as mares, com o movimento imperceptível da terra.
Pulsamos no mesmo ritmo que a natureza, somos a magia na terra, reflexo da grande deusa! A deusa encarnada!

Despertar a deusa adormecida é uma escolha!

Empoderem-se! Libertem-se das correntes! Lutem pela liberdade de ser o que é! Destruam os papeis, e fluam! Sejam! Esse é o verdadeiro poder, é a voz da Deusa que não mais lamenta!

Ela canta o primitivo canto! Ela dança fluindo pelas estações, gerando a vida, morrendo e renascendo a cada mês, sangrando e nutrindo a terra!