Responsabilidade afetiva

A maior parte das pessoas que eu atendo são mulheres. Não só que eu atendo, mas que seguem meu Instagram, que me mandam pedidos de ajuda e conselhos. As mulheres geralmente são mais vítimas do que algozes nesta questão: a falta de responsabilidade afetiva. 

Eu acabei de passar por uma situação dessas. Dessas que deixam a gente mal, até mesmo fisicamente doente. Depois de quase um ano de namoro, meu ex-namorado, que chegou a conhecer os meus pais, parece ter se cansado de mim. Perdeu o interesse. Beleza, essas coisas acontecem. Não é porque ele gostou um dia que precisa amar para sempre, aliás namoro é mesmo para testar a relação. 

O problema não foi terminar, mas a maneira como terminou. Quando eu tentei, eu disse que só tentei, conversar com ele sobre o assunto, ele simplesmente surtou. Fingiu que ficou muito magoado com uma coisa que eu nem ao menos falei. Disse que aquilo era tão grave (a minha não fala) que depois da nossa primeira briga ele “nem mesmo ia mais falar com você, só estou falando porque você me procurou” (sic). 

Ele era um homem que eu amava. Fizemos planos juntos. Muitos. Eu tive paciência com muitos dos seus defeitos, assim como, eu sei, ele também teve com os meus. Tivemos momentos muito legais, ou seja, tínhamos uma história. Ele terminou do nada, fingindo-se de ofendido e nem ao menos aceitando se encontrar comigo para que eu devolvesse suas roupas e ele o meu controle remoto do prédio. Simplesmente era como se eu nunca tivesse tido nada com ele. 

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Isso é a irresponsabilidade afetiva. Quando a pessoa passa do dia para a noite a te tratar como se você não existisse. Não existe, de fato, nem a preocupação de terminar as coisas às claras. Não, não estou falando de explicar nada à exaustão ou tentar salvar. Se a pessoa não quer, não quer, e pronto. Mas ter uma última conversa, terminar as coisas como amigos, conseguir olhar nos olhos do outro e dizer “foi mal, mas eu não quero mais”. Isso é covardia demais! 

Eu nunca faria isso. Mas muitas pessoas fazem. Eu atendo muitas mulheres que passam por situação semelhante, e acredito que homens também (apesar de eles procurarem menos uma terapeuta nessas horas do que as mulheres). Isso é covardia emocional. Isso é tratar o outro como lixo. No meu caso, doeu mais do que se eu tivesse tomado um tapa – guardadas as devidas proporções. O descaso, a maneira evasiva como ele respondia às minhas vãs tentativas de terminar as coisas na boa. E eu, que sou a mulher mais fofinha do planeta. 

A lição de tudo isso é: cuide do seu coração. Não sabemos com quem estamos lidando. No começo, tudo são flores, mas aos poucos a pessoa vai se mostrando. Se algum dia qualquer sintoma de descaso começar a aparecer no seu relacionamento, corra para as colinas. A coisa está ficando muito feia.

Por outro lado, vamos tomar cuidado com o coração das pessoas. É perfeitamente possível que você não queira passar o resto da vida com outra pessoa, mas entenda que o outro, enquanto a outra parte da relação, merece ao menos o seu carinho e atenção. Não precisa bajular nem tem que ficar se explicando, se não é isso que você quer. Mas saiba que existe um coração ali do outro lado que merece carinho e, principalmente, respeito. Só isso! Ninguém é uma ilha. Qualquer energia que emanamos para o Universo volta para a gente em algum momento. Cuidado! Seja legal e não faça com os outros o que não quer que façam com você. Beleza? Fica a dica. 

Andrea Pavlovitsch

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