Saia do tempo de julgamento e perfeição

Enquanto crianças, precisamos diferenciar e catalogar as coisas para que possamos entender o mundo. Olhamos para as coisas e julgamos se nos sãos favoráveis ou não. O problema real começa quando acabamos não apenas julgando situações, como também as pessoas e suas ações. Vivemos um tempo em que julgamos as pessoas, pois esperamos uma certa perfeição delas. Não toleramos os erros e, assim, criamos justificativa para que possamos repreender e ser juízes das ações alheias.

Aumentamos nossa linha de julgamento e condenação. O que não percebemos é que, se julgamos demais as pessoas por suas atitudes e escolhas, acabamos caindo em uma armadilha maior: o autojulgamento.

De maneira geral, pessoas que são críticas com os outros acabam sendo severas consigo mesmas. Como resultado de uma projeção, quando acabamos nos julgando e sendo críticos com nossas ações, acabamos levando isso de dentro para fora. É como se transbordássemos esse juiz interno. E ao sermos críticos com os outros, não conseguimos ver que os erros das pessoas não são elas. Da mesma forma que qualquer erro que tenha cometido em sua vida não é você, os erros das pessoas também não são elas.

Erros e ações negativas são comportamentos que temos baseados em referenciais. Mas se esses referenciais se modificam, as atitudes também se transformam. Um jogador de futebol que briga durante o jogo, ao sair dali, sua mente muda. Ele não briga o tempo todo. Ao ver sua família, ele vira um pai ou um filho que se comporta de outro jeito, e suas qualidades florescem.

Todos nós temos qualidades e obstáculos. Somos todos assim. Se compreendermos isso, entenderemos que os erros do outro são apenas seus obstáculos, e que podemos ampliar suas ações positivas e qualidades.

Olhar além dos obstáculos

Olho de criança iluminado

Ampliamos nosso olhar quando saímos da ideia de que as pessoas não devem errar. Todos nós erramos e temos falhas. Se olharmos para além disso, entenderemos que as pessoas podem, sim, praticar ações positivas. Podemos, inclusive, ser pessoas que toleram o outro e que o incentivam a praticar melhores ações.

Entenda a imperfeição da felicidade

Se nos cegamos e congelamos o outro dizendo que ele é sua ação negativa, perdemos a oportunidade de beneficiar essa pessoa e nos alegrarmos no processo. A felicidade e a alegria vêm do contato com o outro, quando beneficiamos as pessoas e nos conectamos realmente a elas.

Compreensão de si

Homem se olhando no espelho com expressão séria

Como sair dessa armadilha do julgamento do outro? Começando por não nos julgarmos severamente. Para sermos compassivos e tolerantes com os outros, precisamos ser tolerantes com nós mesmos. Precisamos aprender a aceitar nossas falhas e rir de nossos erros. Entender que falhar é parte da vida e que nem sempre iremos fazer o que é certo.

Ao mesmo tempo que não somos nossos erros, também não somos nossos acertos. Somos uma mente livre que pode se manifestar de diferentes formas. Olhando dessa forma, veremos que não precisamos nos condenar nem ser agressivos quando erramos. Fomos apenas carregados por nossos impulsos. Erros fazem parte de nossa vida.

Pense se você está sendo tolerante ou não com as pessoas e a sua vida. Depois reflita se é tolerante com seus próprios erros. Precisamos de um mundo mais tolerante, de pessoas que não preguem a perfeição, mas a aceitação de si e dos outros.


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