Quinto Princípio das Leis Herméticas: Ritmo

Tudo o que envolve o Universo provoca a nossa curiosidade. Se quisermos buscar informações sobre ele apenas no campo científico, vamos encontrar uma vastidão de temas, aplicações e significados. Mas, quando se trata do Universo como reflexo dos nossos pensamentos, desejos e ações, nossa busca acaba se voltando para nós mesmos. Afinal de contas, somos os cocriadores desse complexo que é o todo. Para ajudar nessa busca, que envolve também o autoconhecimento, podemos contar com a ajuda da Filosofia Hermética, criada por Hermes Trismegisto. É no Hermetismo que vamos encontrar as respostas sobre tudo que ocorre nos planos físico, espiritual e mental. Está tudo contido nos Sete Princípios Herméticos. Nesta matéria, falaremos sobre o quinto deles: o Ritmo.

O movimento pendular se manifesta sobre todas as coisas. Para tudo é necessário ter Ritmo e equilíbrio. A coerência é uma necessidade para sustentar qualquer lógica. Esse princípio parece ter uma relação muito íntima com seu antecessor (a polaridade), pois, para que os opostos coexistam, é necessário saber fazer o caminho do equilíbrio, ou seja, mexer na “régua” que mostra o grau de cada par de opostos. Para isso, é necessário esse Ritmo pendular. Precisamos acertar os ponteiros da nossa vibração (portanto, os princípios vão se interligando nessa teia maravilhosa que é o Universo).

Saber mexer nesse movimento pendular que é o Ritmo é como andar em uma brasa sem queimar os pés. Requer velocidade e peso cirúrgicos. Manter o Ritmo por vezes demanda força. Mas nem sempre se contrapor é a resposta; devemos tentar reconhecer quando é hora de seguir o fluxo.

Esse é o princípio que pode ser representado por máximas como “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra” e “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”. Cada qual com suas aplicações. Não podemos deixar as ondulações das energias subirem ou descerem demais, então é necessário fluir com constância. Também não devemos nos comprazer das coisas boas como se fossem eternas, e sim pensar que sempre pode acontecer algo para “compensar”. E o contrário também é válido. Fases de crise e de sofrimento em algum momento sairão da trajetória ascendente, encontrando o pico da curva para descerem. E aí é que devemos contrabalancear.

Trabalhar nossas energias para evitar o equilíbrio já é uma busca de manter o Ritmo funcional. Inevitavelmente surgirá uma força para compensar esse desbalanço. Se fizermos algo nocivo, seja a alguém ou a algo, a natureza das coisas trata de utilizar uma contraforça na mesma proporção da nossa força, para trazer a harmonia. E o resultado dessa contraforça pode ser avassalador para nós (aí já entraremos em Causa e Efeito, que discutiremos mais adiante).

O Ritmo e suas simbologias na religião

Estátuas de figuras budistas enfileiradas.

Como, de alguma forma, os Princípios estão completamente ligados, aqui o Ritmo vai estar relacionado com Causa e Efeito. O budismo, por exemplo, trata dos fatos desde o primeiro Princípio, chegando aqui com a purificação de sentimentos, ações e pensamentos. É nesse ponto que o Ritmo se faz necessário para o budismo, em especial para a lei do carma.

Relação com a ciência

Pêndulo em movimento

O Ritmo é exigido em basicamente todos os campos da vida. Na ciência, temos os pêndulos e seus movimentos de vaivém. O pêndulo de Newton, por exemplo, nos mostra forças e contraforças se opondo para chegar a determinado estado. Usado na Física para o ensino da conservação da energia e da colisão de corpos, esse instrumento, também conhecido como “berço de Newton”, é composto por uma série de pêndulos (em geral, 5) adjacentes uns aos outros. Para que haja um equilíbrio entre a esfera de cada pêndulo, é necessário o uso de cordas de igual comprimento e de ângulos opostos entre elas. Esse arranjo serve para que os movimentos do pêndulo sejam restringidos ao mesmo plano. Ao elevar uma das esferas das extremidades e soltá-la, ela ganha energia cinética (relacionada ao movimento), chocando-se contra as demais esferas. O equilíbrio aqui não se limita somente às forças e contraforças para chegar a um estado após a movimentação das esferas, mas também ao arranjo, de forma que todo o processo ocorra de forma equilibrada.

De uma forma mais livre, podemos pensar em todo tipo de compensação para chegar a um equilíbrio – não só em consequências ruins. Nas ciências políticas, as cotas raciais e sociais, por exemplo, são uma forma de compensação, uma forma de atingir a equidade dentro da sociedade atual, tendo em vista os aspectos históricos relacionados à escravidão e à distribuição de riqueza ao longo dos tempos.

No “Caibalion”

Capa do livro

O “Caibalion” é o livro-chave dos princípios herméticos. Publicado em 1908, com autoria atribuída ao pseudônimo Os Três Iniciados, o “Caibalion” reúne os Sete Princípios Herméticos, com uma discussão bastante aprofundada.

A obra faz parte de um conjunto maior de ensinamentos místicos, nos quais residem os fundamentos e desdobramentos da filosofia criada por Hermes Trismegisto.

Assim o “Caibalion” define, na íntegra, o Princípio do Ritmo:

"Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o Ritmo é a compensação. - O CAIBALION -

Esse Princípio contém a verdade de que em tudo se manifesta um movimento para diante e para trás, um fluxo e refluxo, um movimento de atração e repulsão, um movimento semelhante ao do pêndulo, uma maré enchente e uma maré vazante, uma maré alta e uma maré baixa, tudo entre os dois polos que existem, conforme o Princípio de Polaridade de que tratamos há pouco. Há sempre uma ação e uma reação, uma marcha e uma retirada, uma subida e uma descida. Isso acontece nas coisas do Universo, nos sóis, nos mundos, nos homens, nos animais, na mente, na energia e na matéria.

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Essa lei é manifesta na criação e na destruição dos mundos, na elevação e na queda das nações, na vida de todas as coisas e, finalmente, nos estados mentais do homem (e é com esses últimos que os hermetistas reconhecem a compreensão do princípio mais importante). Os hermetistas compreenderam esse princípio reconhecendo a sua aplicação universal, e descobriram também certos meios de dominar os seus efeitos no próprio ente, com o emprego de fórmulas e métodos apropriados. Eles aplicam a Lei Mental de Neutralização. Eles não podem anular o princípio ou impedir suas operações, mas aprenderam como se escapa dos seus efeitos na própria pessoa, até certo grau que depende do domínio desse princípio. Aprenderam como empregá-lo em vez de serem empregados por ele.

Nesse e noutros métodos consiste a Arte dos Hermetistas. O Mestre dos Hermetistas polariza até o ponto que desejar, e então neutraliza a Oscilação Rítmica pendular que tenderia a arrastá-lo ao outro polo.

Todos os indivíduos que atingiram qualquer grau de domínio próprio executam isso até certo grau, mais ou menos inconscientemente, mas o Mestre o faz conscientemente e com o uso da sua vontade, atingindo um grau de equilíbrio e firmeza mental quase impossível de ser acreditado pelas massas populares que vão para diante e para trás como um pêndulo. Esse princípio e o da Polaridade foram estudados secretamente pelos Hermetistas, e os métodos de impedi-los, neutralizá-los e empregá-los formam uma parte importante da Alquimia Mental do Hermetismo.

Em uma definição mais popular, temos aqui que o Ritmo nada mais é do que a postura em prática do balanceamento dos opostos. E também antecede Causa e Efeito, como um alerta sobre nossas atitudes, em relação a nossas ações. Pois todas as coisas têm seus efeitos, e o peso da contraforça sobre aquilo que fazemos SEMPRE vem, para o bem e para o mal, ou para ambos (de uma só vez), a depender do nosso ponto de vista e daquilo que almejamos com nossas ações. Porque o intuito é sempre compensar.

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